A importância da escatologia bíblica
Escatologia é um vocábulo formado de duas palavras gregas escathos e logos que significam respectivamente,"últimas coisas" e "estudo". Este assunto é fundamental para os dias atuais já que o homem vive a procura da verdade em relação ao seu destino ou ao destino do Universo.
Infelizmente, há muitos cristãos que não conhecem o que as escrituras dizem a respeito de coisas que ainda acontecerão. Muitas das vezes, não sabem o que ocorrerá se morrerem: se vão para um lugar onde as pessoas estão dormindo; se ficarão junto com os ímpios aguardando o arrebatamento ou o Juízo Final. É necessário conhecermos tais verdades para podermos ter uma fé sólida em Cristo Jesus.
Os estudos de escatologia se baseiam nas profecias bíblicas. O apóstolo Pedro já nos exortava acerca disto dizendo: "E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações. (2 PE 1:19)". A palavra de Deus não falha; toda profecia é inspirada pelo Espírito Santo. Sendo assim, torna-se uma verdade declarada pelo próprio Deus. O mesmo autor declarou em (2 PE 1:20) "Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação" e em
(2 PE 1:21) "Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo."
Para se interpretar as escrituras proféticas, os autores utilizam diversas maneiras de interpretação. No entanto, algumas delas nos obrigam a ser cautelosos. Por exemplo: há autores que, de acordo com um método de interpretação, defendem que o arrebatamento da Igreja será antes da Grande Tribulação. Outros há que crêem que o mesmo acontecimento ocorrerá no meio da Grande Tribulação. No meio de tantos processos de interpretação, dois merecem nossa atenção:
1 - Método alegórico ou figurado: utilizando este método, estaremos interpretando as profecias não em seu sentido literal ou real, mas num sentido alegórico. Devemos tomar cuidado com este método, já que corremos o risco de não extrair o verdadeiro conteúdo da profecia. No entanto, vemos que o próprio Paulo utilizou este método em Galátas 4:21-31. Ele tomou as figuras ilustradas no texto com fatos literais da antiga dispensação, mas apresentou-os como sombras de eventos futuros. Isto nos mostra que, em certas ocasiões, devemos utilizar o método alegórico, no entanto, devemos tomar muito cuidado.
2 - Método literal e textual: por esse método, utiliza-se a gramática e a história. Tenta-se assim, interpretar as profecias de acordo com o sentido normal dos vocábulos.
Exemplo de método alegórico: João Batista, quando estava batizando, ao ver Jesus disse: "Eis aí o Cordeiro de Deus" - Jo 1.29. Ele empregou o sentido figurado. Na verdade, Jesus era um homem real, visível.
Exemplo de método literal: Em João 1:6, o mesmo João Batista diz: "Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João". Ele realmente estava relatando o fato de haver um homem chamado João.
Não podemos confundir profecia bíblica com dom de profecia. A profecia bíblica não falha, porque é inspirada pelo Espírito Santo. Já a profecia, como dom do Espírito, tem a sua importância para os cristãos, no entanto, sua inerrância depende de quem a transmite, portanto, está sujeita a erro e julgamento - I Co 14:29. Em relação a profecia como dom do Espírito, não devemos esquecer que ela nunca poderá se confrontar com o ensino geral das Escrituras. Caso haja confronto, deve ser invalidada.
Toda vez que a Bíblia declara uma profecia, ele deve ser totalmente aceita. Deus recorre a sua palavrar para transmitir suas verdades aos homens. À medida que olhando para o passado, vemos que o que Deus prometeu cumpriu e que no presente, observamos Deus cumprindo suas promessas, podemos crer perfeitamente que o que Ele tem anunciado acerca do futuro, certamente ocorrerá.
A doutrina da morte
A morte é um tema que o ser humano evita comentar (mesmo os cristãos): por que ?
Quando Deus criou o homem, este era revestido da imortalidade. Diz Romanos 5:12 - "Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram". Examinando este trecho, extraímos que anteriormente ao pecado, não havia morte. Só após pecar, o homem adquiriu a morte. Em Romanos 6:23, Paulo diz que o salário do pecado é a morte.
Sendo assim - respondendo a pergunta -, não faz parte da natureza original do homem, morrer. O homem não foi feito para morrer, mas sim, para viver eternamente. E é por esta razão que não aceitamos totalmente a morte.
Os cristãos, no entanto, gozam de uma esperança maior, qual seja, a de viver eternamente após a sua morte física. A morte é assim, para os filhos de Deus, um trampolim para a vida eterna. Veremos isto mais adiante.
Todo ser humano enfrenta este dilema: a morte. . Diz Eclesiastes 3:20,21 - "Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó. Quem sabe que o fôlego do homem vai para cima, e que o fôlego dos animais vai para baixo da terra ?". Perceba que o texto diz "todos". Isto significa que tantos os justo como os ímpios terão que enfrentar a morte.
Vejamos agora alguns sistemas filosóficos que tratam sobre a morte:
1 - Existencialismo: seus defensores reconhecem que a morte está na presente na vida dos seres humanos, mas é um elemento natural da vida. Ora, como já foi dito, a morte nada tem de natural. É um efeito hostil à natureza humana. A morte entrou em virtude do pecado.
2 - Materialismo: não acreditam nas coisas espirituais. Para eles tudo é matéria. Os materialistas defendem que tudo a matéria obedece às leis físicas. Sendo assim, não acreditam na morte espiritual. O cristão crê que há alma e espírito que devem se preparam para a vida além-túmulo.
3 - Estoicismo: para os estóicos, o homem é feliz quando não deseja que as coisas sejam diferentes do que são; por conseguinte, que o indivíduo busque compreender claramente o ciclo da natureza e cultivar a aceitação voluntária do mesmo. No entanto, já vimos que a morte não é algo natural.
4 - Platonismo: o pensador grego Platão ensinava que a matéria é má e desprezível, só o espírito é que importa. Entretanto, a Bíblia nos ensina que nossos corpos - mesmo sendo um casa material -, são templo do Espírito Santo (I Co 3,16,17) e que portanto, devem ser protegidos.
Passamos a analisar agora os sentidos literal e metafórico e bíblico e doutrinário da palavra morte.
1 - Sentido literal e metafórico:
separação: no grego a palavra morte é thanathos e significa separação. Com a morte, a alma e o espírito se separam do corpo: há uma separação entre a parte material e a parte espiritual.
saída ou partida: a morte física é como se alguém saísse de um lugar e fosse para outro.
cessação: cessa a existência física.
rompimento: a partir do momento que alguém morre, rompe-se o elo de comunicação com as pessoas que ainda continuam vivas na terra.
distinção: a morte distingue o temporal do eterno na vida do ser humano.
2 - Sentido bíblico e doutrinário:
a morte como salário do pecado: ao analisarmos Romanos 6:23 e demais trechos, vemos que a morte não é simplesmente a cessação da existência física; a morte é uma conseqüência do pecado. Sendo assim, a morte é o primeiro efeito externo ou manifestação visível do pecado.
a morte é sinal e fruto do pecado: em Tiago 1:14,15 está escrito: "Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte". Neste trecho, Tiago nos mostra que o pecado frutifica gerando a morte.
a morte foi vencida por Cristo no Calvário: a morte foi vencida na Cruz quando Jesus, ao terceiro dia, ressurgiu dentre os mortos. Em virtude deste acontecimento, Cristo solucionou o problema do pecado e da morte. Aleluia !
Na Bíblia, nós encontramos três tipos de mortes: física, espiritual e eterna.
Morte física: é quando nosso corpo físico é destruído. Em II Samuel 14:14 está escrito: "Porque certamente morreremos, e seremos como águas derramadas na terra que não se ajuntam mais".
Morte espiritual: possui dois sentidos: negativo e positivo.
Negativo: é quando a pessoa está morta no pecado. Tal pessoa não vive para Cristo e sim para o pecado. Jesus disse: "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida" - Jo 14:6. Se Cristo é a vida, quem está com Ele está vivo. Caso contrário, está morto.
Positivo: é quando o Cristão morre para o mundo e o pecado. Romanos 6:11 declara: "Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor". Paulo em Gálatas 2:20 diz: e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim. Portanto, o Cristão está morto para o pecado e as paixões da carne, mas está vivo para Deus, a fim de viver uma verdadeira experiência cristã.
Morte eterna: é a chamada "segunda morte", já que a primeira é a morte física. Ela é identificada como castigo eterno (Mateus 25:46). É quando os ímpios, após o julgamento forem condenados eternamente e serão lançados no Lago de Fogo (Geena). Em Apocalipse 2:11b está escrito: "O que vencer, de modo algum sofrerá o dano da segunda morte". Neste caso, os ímpios não terão mais chance de se arrependerem.
Conforme fora dito no começo, a morte constitui um trampolim para o Cristão. Ela nos consola à medida que vemos que diante dos olhos de Deus, ela é agradável (Sl 116:15). Em Hebreus 13:14 está escrito: "Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura". O Cristão tem um alvo a ser alcançado, qual seja, o de morar nas mansões celestiais. Para ele, sua vida começara após a morte.
O estado intermediário dos mortos